O Ibovespa está em 141 mil pontos — próximo da máxima histórica. Quem lê esse número pode concluir que a economia brasileira vai bem. Seria um erro.
O índice é composto por cerca de 80 empresas. As 10 maiores — Petrobras, Vale, Itaú, Bradesco, Ambev, entre outras — respondem por mais de 60% do peso total. São empresas globais, cujo desempenho depende mais do preço do petróleo, do minério de ferro e da taxa de câmbio do que do PIB brasileiro.
Pequenas e médias empresas, que empregam a maioria dos trabalhadores formais brasileiros, têm presença mínima no Ibovespa. O setor de serviços — que representa 70% do PIB — é sub-representado. A economia informal, que movimenta trilhões de reais por ano, simplesmente não existe para o índice.
Quando o Ibovespa sobe, é porque as commodities estão caras ou os bancos estão lucrando mais. Isso pode acontecer simultaneamente a um cenário de recessão para a maioria das empresas e famílias brasileiras.