A dinâmica da dívida pública é governada por uma equação simples: se a taxa de juros real for maior que a taxa de crescimento real do PIB, a dívida cresce como proporção do PIB mesmo com superávit primário. Esse é o cenário atual do Brasil.
Com a Selic em 13,25% e a inflação em 4,1%, a taxa de juros real está em torno de 8,8% ao ano. O crescimento real do PIB em 2026 deve ficar em torno de 1,8%. A diferença — 7 pontos percentuais — é o que os economistas chamam de snowball effect da dívida.
Para estabilizar a dívida como proporção do PIB nesse cenário, o governo precisaria de um superávit primário de aproximadamente 2,5% do PIB. O resultado atual é um déficit primário de cerca de 0,8% do PIB. A diferença entre o que seria necessário e o que está sendo feito é de 3,3 pontos percentuais do PIB — ou cerca de R$ 280 bilhões por ano.
Esses números são públicos. Estão nos relatórios do Tesouro Nacional. Mas raramente são apresentados de forma direta e contextualizada.